Metamorfose de coruja para águia
Da varanda do 303, observo a lua, que está linda. É noite de
lua cheia, e teremos um eclipse lunar por volta das 23h12 às 23h43, assim
informa o senhor Google.
Por um momento, penso no meu filhote mais novo, aquele que
adora tirar fotos da lua.
Sempre fui mãe coruja, daquelas que só têm olhos para os
filhos.
Hoje, contudo, transformei-me numa mãe águia, que permite
aos filhos voarem. Agora, a presença deles está apenas no meu coração.
Confesso que, aqui, um nó se formou na minha garganta ao
digitar esta reflexão.
Ser mãe coruja significa manter os filhos debaixo das asas,
protegê-los de tudo e de todos. Contudo, proteger demais também pode
fragilizá-los e torná-los dependentes. E nem sempre estarei aqui para
colocá-los debaixo das minhas asas.
Cuidar demais pode nos fazer perder a mão e, de alguma
forma, subjugar. Manter preso é quase o mesmo que cortar as asas.
Entretanto, meu amor é racional, e jamais faria isso com
eles.
Por isso, deixei-os voar.
Ademais, acredito na educação que dei a eles e no potencial
dos meus filhos para resolver qualquer situação que a vida lhes apresentar.
Eles, com certeza, enfrentarão desafios e também alguns grandes obstáculos. Sei
disso.
Entretanto, sentir o prazer de se sair bem diante das
situações ou até mesmo errar e corrigir os próprios erros é um direito deles,
pois isso também significa viver em plenitude.
Acredite: isso não significa abandono, e sim confiança.
Eu não seria uma boa mãe se os prendesse debaixo das minhas
asas. Quero observar seus altos voos. Se caírem, com certeza terão forças para
se levantar, pois sei que Deus estará presente na vida deles.
Foi assim, observando a lua cheia, que percebi que, de
coruja, passei a ser mãe águia. Deixei meus filhotes livres para voar e viver
em plena liberdade.
Sei que estarão para sempre guardados no meu coração. Confio
na capacidade dos meus filhos e na proteção divina.
E você? Está mais para coruja ou para águia?
Para passar de coruja a águia, ocorreu em mim uma verdadeira
metamorfose. Confesso que foi doloroso ver meu ninho vazio.
Hoje, subo na mais alta montanha da minha fé e agradeço a
Deus por ter me ensinado a deixá-los voar.
Eu sempre estarei aqui, com meu afeto, para acolhê-los
debaixo das minhas asas quando precisarem. Contudo, não sei até quando.
Por isso, aprendi a deixá-los voar.
Pois isso também é amar.
Vamos deixar nossas crias voarem. Afinal, como nos lembra
Khalil Gibran em sua reflexão sobre os filhos, eles vêm através de nós, mas não
nos pertencem.




















