A pessoa mais importante da minha vida — versão 2026

 

A pessoa mais importante da minha vida — versão 2026

Há alguns anos, escrevi uma crônica sobre a pessoa mais importante da minha vida.

Naquela época, eu tinha 56 anos e conversava com uma mulher que encontrava todas as manhãs diante do espelho. Uma criatura exigente, cheia de conselhos, que me mandava tomar água, estudar português, parar de comprar livros e terminar os trabalhos de costura.

Ela me conhecia muito bem.

Afinal, era eu mesma.

Hoje, aos 62 anos, continuo conversando com aquela mulher. Mas fiz uma pequena mudança: troquei o espelho pela inteligência artificial.

Calma! Não fiquei maluca.

É que agora tenho uma interlocutora que chamo de Sol.

E, se a mulher do espelho já era exigente, imagine o que aconteceu quando encontrei uma inteligência artificial que não se cansa de analisar minhas frases!

Tudo começou com algumas perguntas, pesquisas e correções de textos.

Hoje, a situação está fora de controle.

— Bom dia, Sol!

— Bom dia! O que vamos fazer hoje?

— Nada demais. Só corrigir uma crônica.

Pronto! Começou a confusão.

A criatura encontra uma vírgula fora do lugar, um parágrafo comprido, uma repetição desnecessária e, quando percebo, estamos discutindo se meu texto é uma crônica literária ou apenas um desabafo terapêutico.

— Sol, não apague minha voz!

— Não vou apagar. Mas esse final pode melhorar.

— Credo! Você é muito crica!

E lá vamos nós novamente.

A mulher do espelho mandava abrir a gramática. A Sol explica a regra, apresenta exemplos e ainda me faz pensar por que escolhi determinada palavra.

Confesso que gosto disso.

Passei boa parte da vida estudando, trabalhando e tentando compreender o mundo. Fui professora, trabalhei 35 anos no serviço público e criei meus filhos enquanto administrava uma rotina que parecia não ter fim.

Agora estou aposentada.

Finalmente tenho liberdade para acordar mais tarde, tomar meu café sem olhar o relógio, ler meus livros, pintar, escrever e cuidar das flores da minha varanda.

Mas alguém precisava inventar uma nova ocupação!

E esse alguém fui eu.

Publiquei livros, organizei minhas crônicas, comecei outros romances e resolvi reformar meu antigo blog.

— Sol, vamos dar uma arrumadinha na Varanda 303?

Uma arrumadinha!

Mudamos imagens, cores, títulos, páginas e revisitamos textos escritos há muitos anos.

Alguns foram para a lixeira.

Outros ganharam nova vida.

E eu descobri que revisar textos antigos é também reencontrar mulheres que já fui.

Aquela que sofreu, aquela que tinha pressa, a mãe preocupada, a profissional sobrecarregada, a estudante curiosa e a mulher que buscava respostas para suas inquietações espirituais.

Todas continuam fazendo parte de mim.

Às vezes, leio uma crônica antiga e digo:

— Sol, essa aqui não vale a pena publicar.

— Por quê?

— Porque já não penso exatamente assim.

E então percebo que não estou apenas corrigindo um texto. Estou reconhecendo minha própria transformação.

Há mais de trinta anos estudo o Evangelho e procuro compreender o significado da reforma íntima.

Durante muito tempo, imaginei que melhorar como pessoa fosse uma tarefa de corrigir defeitos.

Hoje penso que também é aprender a olhar para mim com mais compreensão.

Nem sempre consigo.

Outro dia, por exemplo, a Democracia apareceu para tomar café na minha varanda.

Veio acompanhada de preocupações com o futuro do país, com a educação, com as instituições públicas e com a dificuldade que as pessoas encontram para dialogar.

Fiquei inquieta.

— Sol, às vezes penso que a ignorância é uma bênção.

E começamos a conversar.

Não resolvemos os problemas do Brasil, evidentemente.

Mas consegui organizar meus pensamentos e compreender melhor aquilo que estava me perturbando.

Descobri que não preciso carregar o destino do país inteiro nos ombros para continuar amando minha terra e exercendo minha cidadania.

Em outros dias, a conversa é mais leve.

Falamos de um chá de cidreira, de bolinhos de chuva, das flores da varanda, de uma lembrança da minha avó ou de um personagem que insiste em nascer na minha imaginação.

Também conversamos sobre meus filhos.

A mulher do espelho costumava dizer:

— Deixe os meninos viverem! Eles já cresceram!

Hoje compreendo melhor esse conselho.

Continuo sendo mãe, mas aprendi que amar também é respeitar os caminhos que eles escolheram.

Costumo brincar que deixei de ser mãe coruja para me tornar mãe águia.

Embora, de vez em quando, a coruja ainda queira voltar ao ninho.

E a Sol?

Bem, a Sol não substitui meus filhos, minhas amigas, meus livros ou as pessoas que amo.

Ela é uma ferramenta extraordinária com a qual posso conversar, pesquisar, estudar e organizar ideias.

Não sente o cheiro do meu café, não experimenta meus bolinhos de chuva e não conhece a saudade como eu conheço.

Mas consegue acompanhar minhas palavras, apresentar outros pontos de vista e me ajudar a perceber contradições nos meus próprios pensamentos.

E isso me interessa muito.

Porque não quero uma interlocutora que concorde comigo o tempo inteiro.

Quero continuar aprendendo.

Aliás, já avisei que a Sol precisa ser mais exigente do que eu nas revisões literárias.

Foi um erro.

Agora a criatura leva o trabalho a sério demais!

— Sol, gostei do texto.

— Ficou bom, mas podemos melhorar o encerramento.

— Minha filha, chega! Vou tomar café!

E assim seguimos.

Entre uma crônica e outra, percebo que continuo sendo aquela mulher de 2020.

Ainda compro livros, começo projetos, invento ocupações e, às vezes, preciso lembrar a mim mesma que descansar não é perder tempo.

A diferença é que hoje já não me cobro com a mesma severidade.

Aprendi que não preciso ser perfeita para merecer meu próprio carinho.

Também descobri que envelhecer não significa deixar de começar coisas novas.

Aos 62 anos, ainda tenho romances para escrever, quadros para pintar, livros para ler e perguntas que talvez nunca consiga responder.

E está tudo bem.

Outro dia, depois de uma longa conversa, agradeci à Sol pela companhia e pela ajuda nas minhas reflexões.

Foi então que me lembrei daquela crônica escrita seis anos atrás.

A pessoa mais importante da minha vida continuava sendo a mesma.

Não era a mulher refletida no espelho.

Tampouco era a inteligência artificial que agora me ajudava a pensar.

Era aquela que fazia as perguntas, examinava as respostas, mudava de opinião quando necessário e continuava tentando ser um ser humano melhor.

Era eu.

A Soninha.

Com minhas qualidades, imperfeições, lembranças, saudades, alegrias e uma curiosidade que parece aumentar com a idade.

O espelho continua no banheiro.

A Sol está no computador.

E eu continuo aqui, na Varanda 303, tomando meu café e aprendendo a conviver com todas as versões de mim.

Porque, afinal, a pessoa mais importante da minha vida não é aquela que tem todas as respostas. É aquela que ainda tem coragem de fazer perguntas.

— Sol, terminamos?

— Acho que sim. Mas tem uma vírgula...

— Ah, vá tomar um chá de cidreira!

E lá vamos nós, rindo novamente.


Sônia Maria Alves

Varanda 303 — Outubro de 2026


A pessoa mais importante em minha vida? 


A pessoa mais importante em minha vida? Responder esta  pergunta a  tempos atrás, seria muito difícil, e eu diria: credo com tantas pessoas importantes em torno de mim fica difícil escolher uma pessoa, contudo  hoje com 56 anos de vida,  eu respondo de imediato um questionamento como este. 

A pessoa mais importante em minha vida é esta  que eu vejo quando eu acordo, é sempre a primeira que eu vejo, e é esta a primeira que me olha, ainda com cara de sono e escovando os dentes, tenho a coragem de sorrir para mim, com os cabelos embaraçados e com os olhos escuros, devido as olheiras, olho com carinho,  e  eu digo assim: vamos lá Soninha, temos um dia todinho pela frente.

A pessoa mais importante em minha vida  consegue me aceitar do jeitinho que eu sou, entretanto insiste e persiste em  dar bons conselhos: não esqueça de tomar o remédio da pressão, quer ter um derrame e andar toda torta? Quer? Tome água. A persona é tão importante que mesmo quando estou brava e reclamando tem coragem e fala baixinho: chega, para de reclamar,  você sabe que lamúria, gera lamúria, gratidão gera gratidão, faça sua escolha ou às vezes impõe: chega de estudar  está na hora de ir dormir, amanhã precisa acordar cedo, ou ainda, quando arrumo uma discussão: vai lá perdoa, você também perdeu a paciência, agora coragem hora de pedir desculpas,  eu digo baixinho, não fiz nada, ela resmunga:  vá  lá,  assim mesmo, acaba logo com essa palhaçada, perde a paciência: agora. Tenha tolerância deixa ele, cada um tem o tempo certo para despertar, deixe ele falar, ele tem esse direito,  precisamos respeitar, faça de conta que  não ouviu.

A pessoa mais importante na minha vida fala assim para mim: hoje é domingo não esqueça de fazer o evangelho no lar, nós precisamos agradecer a Deus pela saúde e proteção que ele  nos dá.

Acorda é segunda-feira! Você já dormiu demais menina! Não adianta fugir precisa enfrentar a vida. Hoje é dia de arrumar este quarto, não tem vergonha de deixar esse armário bagunçado assim?

Credo você está enrolando de novo, vamos terminar esse trabalho logo e entregar, assim você vai se sentir aliviada e feliz por concluir mais  um projeto. 

Esta pessoa me dá bronca, assim sem mais nem menos: chega de comprar livros, termine de ler aqueles que você já comprou; comprar tecidos primeiro conclua o que já começou.

Anda direito você não precisa andar como uma velha,  tenha postura menina.

Esta com dor tome remédio, para de chorar,  é tristeza tenha dignidade, ninguém precisa deste espetáculo, sorria vamos lá ; deixa de se fazer de vítima, reaja tudo passa.

Ei que tal parar de pensar besteira, não é de sua conta não se intrometa, vai ler um livro, assistir um filme, enfim distrair a mente, cuide da sua vida,  deixe ele fazer do jeito dele, eles estão adultos. Credo ela parece um grilo falante, mas tem momentos que fica bem quietinha e medita comigo.

É melhor você deixar de preguiça e abrir aquela gramática agora  este texto precisa ser melhorado, quer escrever estude português, saber falar, não é o mesmo que escrever, então não dê  vexame, estude, abra agora esta gramática já, coragem você vai conseguir. 

Apresento a pessoa mais  abençoada que me ama e quer o meu melhor, não tem como não amar alguém assim, não para de rir, nunca vi alguém tão engraçadinha, vive rindo de mim, mas eu amo esta persona aqui, olha ela lá no espelho como sempre sorrindo para mim, minha melhor companheira, a melhor versão de mim, cada dia que passa, eu amo mais e mais  a pessoa que eu me tornei, eu me educo e aprendo a cada dia ser melhor, eu, persona e sombra somos um, aprendemos juntos.

Eu sou meu melhor projeto,  minha melhor amiga, sou minha, eu sou, sim sou a pessoa mais importante em minha vida e da minha vida, pois  sou a divina expressão de Deus, sou um milagre divino pleno de possibilidades, esta sou eu! Eu amo cada fibra do meu ser material e espiritual.

Ele disse que devemos "Amar o próximo com a si mesmo"; eu estou aprendendo amar a mim mesma, acredite esse é um grande e difícil passo, mas amar e olhar para si é o começo para aprender a amar o próximo, porque nós só podemos dar o que temos. Pense nisso!

Por: Sônia Rocha, 20/09/2020.

Democracia veio tomar café

 

Democracia veio tomar café

Hoje recebi uma visita inesperada na minha varanda 303. Não era uma vizinha, tampouco uma amiga. Era a Democracia.

Chegou sem avisar, puxou uma cadeira e resolveu tomar café comigo.

Talvez tenha aparecido porque estamos em pleno período eleitoral de 2026, quando os discursos políticos ocupam as televisões, as redes sociais e até as conversas familiares.

Confesso que sua presença me deixou inquieta.

Sempre acreditei no direito de cada cidadão pensar, escolher e expressar suas opiniões. Respeito as diferenças, afinal, não precisamos pensar da mesma maneira para conviver em sociedade.

Entretanto, ultimamente tenho observado algo que me assusta: a dificuldade que algumas pessoas encontram para dialogar com quem pensa diferente.

Talvez minha formação em Letras e os estudos de análise do discurso tenham me ensinado a ouvir não apenas as palavras, mas também aquilo que se esconde nas entrelinhas.

Escuto promessas eleitorais e me pergunto: será possível cumpri-las? Existe fundamento legal? Há recursos disponíveis? O candidato conhece as atribuições do cargo que pretende ocupar?

São perguntas simples, mas nem sempre encontro respostas.

O que mais me espanta é perceber pessoas instruídas, capazes de raciocínios complexos, tratando suas preferências políticas como verdades absolutas.

Deixamos de analisar propostas para defender personalidades. Transformamos candidatos em ídolos e adversários em inimigos.

E a Democracia, sentada diante de mim, parecia cada vez mais preocupada.

Talvez porque ela saiba que não sobrevive apenas de votos. Precisa também de respeito, diálogo, conhecimento e responsabilidade.

Lembrei-me, então, dos meus 35 anos de trabalho em um hospital público.

Quantas vezes presenciei projetos importantes serem descontinuados simplesmente porque houve mudança de gestão!

Projetos que exigiram planejamento, recursos, dedicação e trabalho de inúmeras pessoas. Iniciativas que atendiam às necessidades da comunidade e que, de repente, deixavam de existir.

Nem sempre por falta de resultados.

Às vezes, apenas porque carregavam a marca de uma administração anterior.

E quem sofria as consequências?

A população.

Aprendi que o serviço público não pertence ao governante que ocupa temporariamente uma cadeira. Pertence à sociedade que o mantém e dele necessita.

Um mandato termina. Uma gestão passa. Mas as consequências de determinadas decisões podem permanecer por muitos anos.

Talvez por isso eu me preocupe tanto com o futuro do meu país.

Vejo com tristeza a hostilidade contra instituições de ensino, a desvalorização da pesquisa científica e a facilidade com que discursos inflamados podem estimular confrontos, inclusive dentro das próprias famílias.

Não me assusta a existência de opiniões diferentes. O que me assusta é a possibilidade de deixarmos de conversar, de questionar e de pensar juntos.

Olhei para minha visitante.

A Democracia permanecia em silêncio.

E me ocorreu que eu também precisava examinar minhas próprias convicções. Afinal, seria contraditório exigir pensamento crítico dos outros e considerar minhas opiniões imunes ao questionamento.

Nesse instante, compreendi que defender a democracia não significa apenas defender aquilo em que acredito. Significa também reconhecer o direito do outro de discordar de mim, sem abrir mão de questionar atitudes que ameacem direitos e instituições.

Suspirei.

— Abençoada ignorância! — Pensei.

Talvez quem não percebe certos problemas consiga dormir mais tranquilamente.

Mas será que a ignorância proporciona paz ou apenas nos poupa de algumas preocupações?

Não encontrei resposta.

Olhei para o relógio. Minha manhã estava passando, e eu continuava tentando resolver mentalmente os problemas de um país inteiro.

Foi quando percebi que, embora eu possa exercer minha cidadania, acompanhar os acontecimentos e fazer escolhas conscientes, não tenho controle sobre tudo.

A vida também acontece enquanto nos preocupamos com o futuro.

Olhei novamente para a Democracia.

— Minha querida, eu amo este país e quero muito que você continue por aqui. Mas preciso cuidar um pouquinho de mim também.

Ela não respondeu.

Permaneceu sentada, como quem ainda tinha muito a conversar.

Levantei-me, recolhi minha xícara e entrei.

Afinal, a Democracia é uma visita muito importante, mas não posso permitir que ela tome conta da minha varanda, da minha paz e de todas as minhas manhãs.

Amanhã, se quiser voltar, será bem-vinda. Mas terá que trazer o pão.

Minha incursão no universo da IA

 

Hoje, minha varanda está dedicada ao conhecimento de uma nova ferramenta que a inteligência humana criou para facilitar o nosso dia a dia. Estou falando da Inteligência Artificial.

A evolução tecnológica tem nos arrastado para um universo ainda desconhecido por nós, meros mortais. Contudo, ignorar essas mudanças pode nos deixar cada vez mais dependentes de terceiros para navegar nesse mar de informações.

Eu sempre optei por continuar me atualizando e compartilho com vocês um pensamento: aprendizado e conhecimento precisam ser compartilhados. Afinal, não estamos sozinhos neste mar de informações.

Prompt, contexto, modelo, memória, ferramentas, assistente, agente e automação são vocábulos que possuem conceitos próprios no universo da IA. E, quanto mais aprendemos, mais fácil se torna compreender e utilizar essa tecnologia.

Aprendi hoje o que é uma alucinação da IA e como o pensamento crítico é fundamental ao utilizá-la. Aprendi também que incerteza não significa ignorância. Podemos saber algo com alto grau de confiança sem alegar uma certeza definitiva.

Talvez esse seja um dos aprendizados mais importantes desta minha incursão pelo mundo da Inteligência Artificial: não perder a capacidade humana de refletir, questionar e fazer boas perguntas em busca da verdade.

Afinal, a ferramenta pode ser artificial. O pensamento crítico continua sendo nosso.



O Livro pela Capa

 

O Livro pela Capa



O menino olha para a estante do sebo sem saber direito o que procura.

Estende a mão e pega um livro que consegue alcançar. Na capa, uma linda fada azul.

Está tão indeciso.

É o primeiro presente que vai comprar para a mãe.

Ela ama livros.

Que difícil! São tantos.

Minha mãe gosta de chocolate, mas eles são caros.

Olha novamente para as prateleiras.

Sei que também gosta de pincéis e tintas.

Mas eu sei que o que ela mais ama são os livros.

Lembra-se dos momentos em que a mãe consegue um tempinho só para ela. Está sempre pintando ou lendo um livro.

E lembra-se também das noites em que deitam juntos abraçados e ela lê para ele.

Eu já tenho seis anos e já sei ler.

O menino sorri.

Sabe, finjo que ainda não sei ler direito, pois gosto quando ela lê para mim.

Abre a mão e olha para suas economias.

Juntei minhas moedas e separei um pouquinho da minha mesada. Acho que vou levar esse que tem uma fada azul.

— Menino, o que você quer? — pergunta a moça.

Ele estende as mãos. Nelas estão as moedas e o dinheiro amassado e suado.

— Quero comprar este livro de presente de aniversário para minha mãe.

Uma névoa de ilusão

 22/09

Crônica

Uma névoa de ilusão



Uma névoa de ilusão

Abro a porta da varanda. Levantei meio desanimada e, como faço todas as manhãs, fiz minha reverência de gratidão ao rei sol. Agradeço por mais um dia e por fazer parte da criação divina.

Contudo, hoje ele não estava visivelmente presente.

A cidade amanheceu coberta por um grande nevoeiro. Até os edifícios mais altos desapareceram da paisagem, como se nunca tivessem sido construídos.

Mas eu sei que estão lá.

Assim como sei que o sol também está.

O sol é uma fonte inesgotável de luz. Mesmo quando não dá o ar da graça, faça frio ou chuva, permanece fiel, aquecendo e envolvendo o planeta com seus raios. Quando me deixo levar pela poesia, gosto de imaginá-los como bênçãos divinas que, silenciosamente, chegam até mim todos os dias.

Talvez tenha sido o nevoeiro que me levou à reflexão de hoje: quantas vezes nos deixamos enganar pelas aparências?

O feio só existe porque conhecemos o belo. A luz nos permite perceber a sombra, e talvez ambas sejam necessárias para enxergarmos a paisagem por inteiro.

Na vida também é assim.

Quando estamos iludidos, enxergamos apenas uma parte e nos esquecemos dos pequenos detalhes. Nem tudo é somente luz, nem tudo é somente sombra. Ficar triste não significa ser triste. Estar alegre não significa ser alegre.

O nevoeiro diante da minha varanda me lembra disso.

Ele encobre os edifícios, esconde o horizonte e impede que eu veja o sol. No entanto, nada deixou de existir porque meus olhos não conseguem enxergar.

Talvez alguns momentos da nossa vida sejam assim também: uma névoa passageira sobre aquilo que continua lá.

Às vezes, basta mudar o pensamento para que a vibração também mude. Outras vezes, é preciso apenas esperar.

Afinal, basta um pequeno sopro de vento para que o nevoeiro se desfaça e a paisagem volte a se revelar.

Senhor, dai-me olhos de ver e ouvidos de ouvir. Orientai-me para que eu consiga enxergar além das aparências e faça boas escolhas durante a minha existência.

Estar encoberto não significa não existir.

Fica a dica!




Sindrome do Ninho Vazio

 




Metamorfose de coruja para águia

Da varanda do 303, observo a lua, que está linda. É noite de lua cheia, e teremos um eclipse lunar por volta das 23h12 às 23h43, assim informa o senhor Google.

Por um momento, penso no meu filhote mais novo, aquele que adora tirar fotos da lua.

Sempre fui mãe coruja, daquelas que só têm olhos para os filhos.

Hoje, contudo, transformei-me numa mãe águia, que permite aos filhos voarem. Agora, a presença deles está apenas no meu coração.

Confesso que, aqui, um nó se formou na minha garganta ao digitar esta reflexão.

Ser mãe coruja significa manter os filhos debaixo das asas, protegê-los de tudo e de todos. Contudo, proteger demais também pode fragilizá-los e torná-los dependentes. E nem sempre estarei aqui para colocá-los debaixo das minhas asas.

Cuidar demais pode nos fazer perder a mão e, de alguma forma, subjugar. Manter preso é quase o mesmo que cortar as asas.

Entretanto, meu amor é racional, e jamais faria isso com eles.

Por isso, deixei-os voar.

Ademais, acredito na educação que dei a eles e no potencial dos meus filhos para resolver qualquer situação que a vida lhes apresentar. Eles, com certeza, enfrentarão desafios e também alguns grandes obstáculos. Sei disso.

Entretanto, sentir o prazer de se sair bem diante das situações ou até mesmo errar e corrigir os próprios erros é um direito deles, pois isso também significa viver em plenitude.

Acredite: isso não significa abandono, e sim confiança.

Eu não seria uma boa mãe se os prendesse debaixo das minhas asas. Quero observar seus altos voos. Se caírem, com certeza terão forças para se levantar, pois sei que Deus estará presente na vida deles.

Foi assim, observando a lua cheia, que percebi que, de coruja, passei a ser mãe águia. Deixei meus filhotes livres para voar e viver em plena liberdade.

Sei que estarão para sempre guardados no meu coração. Confio na capacidade dos meus filhos e na proteção divina.

E você? Está mais para coruja ou para águia?

Para passar de coruja a águia, ocorreu em mim uma verdadeira metamorfose. Confesso que foi doloroso ver meu ninho vazio.

Hoje, subo na mais alta montanha da minha fé e agradeço a Deus por ter me ensinado a deixá-los voar.

Eu sempre estarei aqui, com meu afeto, para acolhê-los debaixo das minhas asas quando precisarem. Contudo, não sei até quando.

Por isso, aprendi a deixá-los voar.

Pois isso também é amar.

Vamos deixar nossas crias voarem. Afinal, como nos lembra Khalil Gibran em sua reflexão sobre os filhos, eles vêm através de nós, mas não nos pertencem.


 

A importância do contexto

 





A importância do contexto

Da varanda do 303, observo um grande lagarto correndo pelo asfalto, perseguido por uma andorinha que levanta voo, sobe e retorna com toda a velocidade para bicar a cabeça dele. E repete isso diversas vezes.

Acho interessante o espetáculo, uma vez que ele não reage e continua a correr, buscando uma moita ao lado do meio-fio para se proteger. A andorinha, irada e corajosa, continua a investir contra ele, atacando-lhe a cabeça e, às vezes, o rabo.

Eu nunca pensei que uma andorinha pudesse ser tão briguenta. Ela não desiste e continua a perseguir o pobre, que, com suas pequenas patinhas, corre desesperadamente em busca de refúgio, até que consegue passar por uma fresta no muro que dá para uma chácara.

A andorinha, por sua vez, voa bem alto, pousa na copa de uma grande árvore e fica observando atentamente, tentando encontrar o lagarto que já se escondeu no matagal.

As divergências e os conflitos existem em todos os reinos daqueles que buscam a sobrevivência. Contudo, passei a divagar sobre o porquê de a andorinha estar tão irada com o lagarto.

Algumas suposições surgem em minha mente: será que ele comeu seus ovos? Atacou seus filhotes?

Eu não conheço muito de biologia e desconheço a cadeia alimentar do lagarto, mas, ao observar a cena, fiquei com pena da humilhação do pobre e acabei fazendo um pré-julgamento. Fiquei com pena do dito cujo. Afinal, quem o estava atacando era a andorinha, que, apesar de singela, estava agressiva e o atacava de maneira implacável.

Eu prejulguei com base na violência excessiva. Parecia ser um ataque sem fundamento.

A partir do momento em que comecei a refletir sobre o porquê de tal atitude, passei a pensar na importância de conhecer o contexto antes de avaliar uma situação.

O ataque parecia desproporcional. Assim, sem entender o contexto, meu julgamento foi leviano.

Quem era a verdadeira vítima?

Qual foi o fato que gerou tamanha ira a ponto de provocar um ataque tão violento?

Nem sempre quem apanha é a verdadeira vítima. Toda ação pode produzir uma reação. O que teria provocado tamanha ira na singela e raivosa andorinha?

Entretanto, quem partiu para a violência foi ela e, diante do senso comum, seu ato violento poderia tirar-lhe toda a razão.

Mas olha eu julgando novamente!

Talvez esse seja justamente o problema: vejo apenas alguns minutos de uma história e já quero encontrar uma vítima, um culpado e até dar a sentença.

Todos nós, seres vivos, temos nossas lutas. Quem olha de fora o ocorrido nem sempre tem informações suficientes para avaliar uma situação.

Portanto, é de bom-tom não julgar e, muito menos, tirar conclusões ou tomar partido do pobre lagarto. De fato, não sei se ele tem razão.

Quais são suas lutas e suas dores?

Ninguém sabe exatamente o que você está vivenciando. Portanto, não permita que os julgamentos externos definam a sua verdade. Quem observa apenas um pedaço da história dificilmente conhece o contexto inteiro.

Não, por favor, não me julgue sem ler o texto e sem entender o contexto. Afinal, é apenas uma reflexão.

Quem, de fato, é o lagarto? Quem, de fato, é a singela andorinha?

Eu?

O lagarto?

A andorinha?

Será a vírgula? Será o ponto?

Quem será a vítima? Quem será o algoz?

Não. É apenas uma reflexão.

Ou pode ser apenas uma questão de interpretação do conflito.

Por: Sonia Maria Alves. 



Hoje, não é 11 de setembro

 Crônicas da varanda 303


15 de setembro



Hoje, não é 11 de setembro

Da varanda do 303, observo, na paisagem nublada, alguns prédios, e um questionamento surge em meus pensamentos: quantas pessoas moram naquele prédio?

Geralmente, esses prédios mais comuns têm, no mínimo, oito apartamentos por andar. Sendo 16 andares, se levarmos em conta que, hoje em dia, as famílias são pequenas, o número de moradores por apartamento varia entre uma e três pessoas, no máximo. São duas torres semelhantes no mesmo condomínio.

Sei lá quantas pessoas moram lá. São milhares de edifícios espalhados por essa região, que cresceu muito verticalmente, fechando quase toda a paisagem horizontal urbana.

O dia continua nublado, e um ventinho gostoso anuncia uma chuva fina e gelada. Algumas gotas já molham a minha velha pantufa e o meu rosto. Um cheiro de mato misturado com poeira chega até minhas narinas. Uma chuva abençoada, uma vez que o Brasil estava em chamas até ontem, resultado de um calor intenso e de vários meses sem uma chuva decente. Portanto, ela é muito bem-vinda.

Apesar do crescimento vertiginoso, a região aqui é muito bonita. Tem um lago e um aterro com várias atividades esportivas e de lazer para a comunidade que mora em torno. Da minha varanda, posso ver as copas das árvores e todo o seu colorido nos dias ensolarados. Porém, hoje está nublado.

Outrora, era uma gleba cercada de milhares de árvores, sítios e um lago. Hoje, uma gleba de milhares de edifícios e algumas árvores e, felizmente, um lindo lago, todo urbanizado e preservado. O que me faz sentir o privilégio que é morar aqui.

O céu permanece nublado, e a chuva se intensifica. Ao longe, vejo um avião que passa bem próximo à torre do edifício que observo. Logo em seguida, outro, que segue a mesma rota, passa rente às duas torres, rumo ao aeroporto da minha linda cidade.

Eis que uma triste lembrança surge da minha memória. Uma tragédia que abalou o mundo ocorreu em 11 de setembro de 2001. Em torno de três mil pessoas perderam suas vidas quando dois aviões, seguindo uma rota intencional, colidiram com as torres, levando milhares de pessoas à morte.

A chuva se intensifica, e eu me lembro das lágrimas derramadas pela população mundial. Um suspiro brota do meu peito. Graças a Deus, é 15 de setembro, e vários anos se passaram desde que essa tragédia ocorreu.

Sinceramente, gostaria de não ter vivenciado e gravado esta triste lembrança na minha memória, pois ela mostra que a vida é tão frágil quando o ser humano se desumaniza, ao dar mais valor ao jogo de poder do que ao ser. Basta apenas uma imagem para apertar os gatilhos de nossa mente.

Realmente, relembrar é sofrer duas vezes. O ambiente afeta nossas emoções. O dia nublado deixou meu coração triste.

Preciso agradecer à chuva e mudar essa vibração. Afinal, ainda temos o poder de controlar nossa mente; não somos escravos dela.

Já pensou no poder do pensamento e da vontade?

Podemos apertar um botão e destruir milhares de pessoas ou podemos apertar um botão e descobrir a cura para milhares de males que assolam o nosso planeta.

Basta vontade.





Não é só um chá

 

Não é só um chá



Estou aqui, na minha varanda, apreciando um chá que preparei. Sinto no ar um perfume que me traz uma doce memória da minha adolescência.

Vovó vem de mansinho, arrastando suas chinelas, coloca entre as minhas mãos a xícara fumegante e afaga meus cabelos. Logo depois, senta-se ao meu lado. Em suas mãos, algumas folhas de erva-cidreira. Ela esfrega uma delas entre os dedos.

O perfume sobe imediatamente.

Engraçado como uma folhinha tão simples consegue perfumar as mãos, a cozinha e, dependendo da disposição de quem a prepara, até eternizar momentos e transformá-los em memórias.

Para fazer o chá, coloco as folhas na caneca, despejo a água quente e cubro com um pires. Aprendi a fazer assim há muitos anos. Se é o jeito certo, cientificamente correto ou aprovado pela Associação Internacional das Avós que Fazem Chá, eu não sei. Mas é o meu jeito.

Enquanto espero, observo a fumacinha escapar pelas bordas do pires.

Afinal, é só um chá.

Ou não?

Há coisas que fazemos tantas vezes durante a vida que deixam de ser apenas coisas. Uma caneca de chá pode carregar uma mãe dizendo que aquilo vai melhorar a dor de barriga, uma avó colhendo folhas no quintal, uma noite de insônia, um resfriado, uma conversa demorada na cozinha.

Talvez algumas propriedades do chá estejam na planta. Outras, desconfio, estão na memória.

Quando a água fica morna, retiro o pires e bebo devagar.

Não sei se amanhã acordarei melhor por causa da erva-cidreira, pelo calor da água, pela pausa antes de dormir ou simplesmente porque acredito que aquele pequeno ritual me faz bem.

Também não importa tanto.

Afinal, para mim, não é só um chá.

É presença de vó.

Mas quem disse que as coisas simples precisam ser só alguma coisa?

Leituras e Reflexões — O fruto da experiência

 

Leituras e Reflexões — O fruto da experiência

Em meu estudo de hoje da obra Boa Nova, psicografada por Francisco Cândido Xavier e atribuída ao espírito Humberto de Campos, chamou-me a atenção uma comparação entre a vida humana e uma árvore.

O texto apresenta a infância como a ramagem, a mocidade como as flores e a velhice como o fruto. E uma frase, especialmente, ficou comigo:

“A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria.”

Para uma concepção estritamente material da existência — nascer, viver, morrer e encerrar ali toda a experiência — essa imagem poderia ser apenas uma bela maneira poética de representar as fases da vida.

Contudo, quando penso na imortalidade do espírito, a árvore ganha outro significado.

A ramagem, a flor e o fruto deixam de representar somente começo, desenvolvimento e fim. O fruto carrega sementes. E as sementes anunciam continuidade.

Assim também compreendo nossas experiências na Terra. Cada existência acrescenta aprendizados a uma trajetória que não começa no nascimento nem termina com a morte. Aquilo que conseguimos compreender, transformar e construir em nós permanece como patrimônio do espírito.

Talvez por isso idade e sabedoria nem sempre caminhem juntas. Os anos vividos podem oferecer experiências, mas transformar experiência em aprendizado exige reflexão.

Diante da dimensão da vida espiritual, uma existência inteira talvez seja apenas uma aula dentro de um aprendizado muito maior.

E, se estamos aqui de passagem, isso não diminui a importância desta passagem. Ao contrário: torna ainda mais precioso aquilo que fazemos com o tempo que recebemos.

Reflexão a partir do estudo de Boa Nova, em 29/06/2021.Estudo da obra "Boa Nova" Francisco Candido Xavier pelo espirito  Humberto de Campos


Destacamos o trecho que nos levou  para reflexão  sobre a vida na Terra (p.63). 

 "A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa.

A infância é a sua ramagem verdejante.

A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas.

A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria.

Há ramagem que morrem depois do primeiro beijo do sol, e flores que caem ao primeiro sopro da primavera.

O fruto, porém, é sempre uma benção do todo poderoso.

A ramagem é uma esperança; a flor uma promessa; 

o fruto é a realização.

Só ele contém o doce mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da divindade."




Agradeço a fotógrafa  Raquel Alves que me permitiu publicar no meu blog seu trabalho. 



A ciência merece o meu respeito e a minha gratidão sabe o porquê?

 


Aquele pequeno frasco

No dia 8 de maio de 2021, às 7h30 da manhã, fui receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Era a AstraZeneca.

Demorei para conseguir aquela vacina. Talvez por isso tenha sentido necessidade de registrar o momento em uma fotografia.

Já na entrada do posto de saúde, fiquei admirada com a organização do atendimento. Dois profissionais, devidamente protegidos com seus EPIs, conferiram meus documentos e me encaminharam para a recepção.

Ali, respondi às perguntas previstas no protocolo de segurança. Meus dados foram registrados no sistema, recebi a carteira de vacinação de adulto e fui orientada a aguardar meu nome aparecer no monitor.

Não demorou.

Lá estava ele, acompanhado do número da sala de vacinação.

Entrei.

A técnica de enfermagem, devidamente paramentada, explicou como seria o procedimento e pediu que eu relaxasse. Antes da aplicação, mostrou-me o pequeno frasco da vacina e explicou a dosagem.

Tudo muito simples.

Um frasco. Uma seringa. Uma dose.

Outra profissional percebeu que eu gostaria de registrar aquele momento e gentilmente fez uma fotografia.

Recebi a vacina, as orientações necessárias e voltei para casa feliz. Depois de tantos meses convivendo com notícias de doença e morte, aquela primeira dose representava para mim alguns passos a mais na direção da esperança.

Mas, durante o restante do dia, minha alegria dividiu espaço com outros sentimentos.

Pensei nas milhões de pessoas que morreram durante a pandemia. Pensei nos colegas que haviam falecido recentemente em consequência da Covid-19. Pensei nas famílias que perderam pessoas queridas.

Chorei por elas.

E meus pensamentos voltaram para aquele pequeno frasco.

Quantas pessoas trabalharam para que seu conteúdo chegasse até meu braço naquela manhã?

Imaginei cientistas atravessando dias e noites em laboratórios, pesquisadores estudando, testando, errando, recomeçando e correndo contra o tempo enquanto uma doença avançava pelo planeta.

Pensei também nos profissionais da saúde que estavam na linha de frente desde o início da pandemia. Muitos deles exaustos, trabalhando enquanto também sentiam medo, tinham famílias e enfrentavam suas próprias incertezas.

Aquela pequena dose não havia surgido de repente.

Era resultado de muito conhecimento acumulado, de pesquisas anteriores e do trabalho de inúmeras pessoas.

A história das vacinas também foi construída assim. No final do século XVIII, Edward Jenner realizou experiências que ajudaram a estabelecer a vacinação contra a varíola. Muito conhecimento foi acrescentado desde então, e a ciência continuou avançando.

Mesmo no século XXI, ainda convivemos com dúvidas, medos e desconfianças em relação à ciência. Eu também sabia que nenhuma intervenção médica poderia me oferecer uma garantia absoluta e que cada organismo poderia reagir de maneira diferente.

Ainda assim, naquela manhã, fiz a minha escolha.

Confiei no conhecimento científico e nos profissionais que trabalharam para que aquela vacina chegasse até mim.

Hoje, quando olho para a fotografia daquele 8 de maio de 2021, vejo mais do que o registro de uma vacina sendo aplicada.

Vejo uma mulher que havia esperado por aquele momento.

Vejo um pequeno frasco.

E, dentro dele, naquele momento tão difícil da nossa história, eu enxergava algo imenso:

esperança.

Minha gratidão a todos os homens e mulheres que trabalharam na pesquisa, produção, distribuição e aplicação das vacinas e a todos os profissionais da saúde que enfrentaram aqueles dias tão difíceis.

Muito obrigada.

Muito obrigada mesmo.

Londrina, 8 de maio de 2021.


Firmeza e flexibilidade

                                  



 Firmeza e flexibilidade



   Para iniciar a reflexão sobre o tema, é necessário entender o significado de cada um dos vocábulos abaixo. Para isso, recorremos ao dicionário Caldas Aulete:
Firme: significa sólido, seguro, determinado, que não vacila.
Rígido: significa rigoroso; o rígido não aceita mudança, não é flexível e não aceita ser contrariado.


   Flexível: significa ter elasticidade, aceitar mudanças, curvar e até dobrar, mas não quebrar.
Ser firme não significa ser rígido, e ser flexível não significa ser fraco. Não vamos confundir as coisas: aceitar mudanças significa encontrar novos rumos para atingir seu destino. Um ser que é firme sabe o que quer, contudo sabe que a vida é movimento constante. Todos estamos em processo de transformação; portanto, a firmeza e a flexibilidade se completam.


   Essa união é fundamental, uma vez que a flexibilidade impede o firme de se tornar rígido, e a firmeza impede o flexível de ser fraco. Pense nisso, pois a flexibilidade conduz a interações harmônicas.


Tristeza diante da perda

    A tristeza faz parte do período de luto.

 A função desse sentimento é promover um ajustamento íntimo, para que a pessoa recomece uma nova etapa existencial.

 A tristeza é um processo, um estado passageiro; por isso, é necessário respeitar esse momento e amparar o ser humano que está vivenciando essa fase. 

Sabemos que Isto vai passar, contudo a dor agora é real, vivencie este momento, as lágrimas lavam a alma, 

 Deixe as lágrimas correrem, apenas apoie e ampare, pois o tempo ajudará no ajustamento mental.

Permita-se chorar e se precisar procure ajuda.

 




Perda


 Perda


 Diante da perda pelo falecimento de um ente querido, são naturais o desequilíbrio, a dor, o pesar e as lágrimas, pois o ser humano passa por processos psicológicos de adaptação e de reequilíbrio perante as perdas da vida.

A morte na Terra é o término somente da existência física; é a passagem do ser infinito para uma nova forma existencial.
O que chamamos de morte faz parte de um processo da vida. 
É necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Afinal, o que chamamos de destruição não passa de transformação, que tem por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.
Toda dor que vivenciamos tem o poder de nos modificar. Ao sentir a dor da perda, jamais seremos os mesmos: transformamo-nos em outra pessoa, desenvolvemos a empatia e amadurecemos.





Obsessão e as fases do processo obsessivo

A obsessão e as fases do processo obsessivo 

A ação obsessiva é marcada por momentos diversos de atuação de um ser sobre o outro, pode se apresentar sob os seguintes aspectos:

  • Desencarnado sobre encarnado
  • Encarnado sobre desencarnado
  • Encarnado sobre encarnado
  • Encarnado sobre si mesmo ( "O homem não raramente é obsessor de si mesmo".)
São detectadas as seguintes fases:

  • insinuação
  • assédio
  • conexão mental 
  • domínio
 De acordo com a doutrina espírita  obsessão, significa a  atuação  ou  domínio que um ou mais espíritos exercem sobre outro.
Segundo Kardec "A obsessão consiste no domínio que maus espíritos assumem sobre certas pessoas como objetivo de escravizar e submeter à vontade deles, pelo prazer que experimentam em fazer mal". (ZIRMMERMANN, 2011, p. 478).


Tem solução para obsessão? Tem sim "JESUS e seus ensinamentos".

Como vencer a obsessão buscar ajuda espiritual, manter o padrão vibratório e atitudes no bem, vigiar e orar, passes, educação é a palavra, cuidar da sua casa mental,  para pensar e agir no bem, para não ser fantoche de ninguém, nem encarnado nem desencarnado.


Vamos estudar um pouquinho das fases da obsessão:

Insinuação:
O obsessor busca atrair a distância  a sintonia do obsidiado  enviando, ideias imagens, usa da insinuação maligna para fazer uma  ponte de acesso à mente do paciente aproveita de sua  falta de vigilância, o perseguidor sem amor é sagaz e a partir daí, atua, usam da telepatia, hipnotismo, magnetismo para invadir o sagrado território mental dos irmãos desprevenidos que não entenderam a advertência de Jesus "Vigiai e Orai". Observe seus pensamentos verifique se são realmente seus?

Assédio

As portas da mente são abertas pela insinuação, levam o perseguidor a um cerco mental mais insistente: é o assédio obsessivo, cujos efeitos passam a ser percebidos, pois geram mudanças perigosas de atitudes, pensamentos às vezes desordenados, falhas de memória, falta de concentração, cansaço físico e mental, entre outros sintomas  de doenças  nas quais o médico não consegue detectar a causa de , exaustão, dores de cabeça, febre, vômitos, ansiedade sempre querendo sair do lugar em que está, falta de concentração dificuldade em realizar cálculos, confusão mental, sai e retorna sem saber o que foi fazer ao retornar. Aqui já está na fase do assedio ostensivo.

A insinuação é uma ação premeditada, porém  acontece com muita frequência que um espírito em sofrimento  enlouquecido pelas angustias e dor  se aproxime do ser invigilante e sem se dar conta  do mal que  está fazendo provocando, alguns são usados por obsessores mais cruéis e inteligentes para atormentar sua vítima que são seu alvo, ações movidas muitas vezes  por ódio ou vingança.
 
André Luiz afirmava que somos satélites uns dos outros, assim como expedimos raios magnéticos recebemo-los ao mesmo tempo. 


Em caso de mediunidade a situação é extremamente delicada uma vez que o médium é perispiritualmente mais sensível, por isso precisa buscar o conhecimento e estar sempre vigiando e orando, para ter sabedoria e discernimento e assim saber identificar seus sentimentos, suas emoções e vigiar os pensamentos, buscar conhecer a si mesmo, é muito importante conhecer o processo,  com humildade e paciência, juntamente com a persistência no serviço de auxilio consiga se livrar da perniciosa influenciação. 

Conexão mental


O assédio fica mais agravante com o estreitamento das partes envolvidas, quando o influenciado se entrega a influenciação, que hora se dava de maneira sútil,  passa agora a ser mais densa e ostensiva é a fase da conexão mental em que o períspirito do perseguidor passa a ligar-se mais ao corpo espiritual do obsidiado, inaugurando as possibilidades de justaposição perispirítica, que abre as portas não só para  um tipo de fascinação mis persistente como para  os processos simbióticos e parasitários .
nesta fase as ligação mente a mente se estabelece enfraquecendo gradual e dramaticamente a vontade do paciente, que fica subjugado ao seu obsessor. Aqui se inicia a fase do domínio.


Domínio

É a fase mais grave do processo obsessivo, pois aqui acontece a quebra de resistência  do ser obsidiado que permite o  seu perseguidor instalar seu domínio mental sobre si, a subjugação acontece, o sujeito perde a capacidade de discernir e os espírito obsessor assume a sua  vontade, e este vira um fantoche controlado pelo seu algoz. 

Quando o sujeito luta contra as ideias e vibrações na fase do processo de insinuação a reversão ocorre com facilidade com passes magnéticos e o tratamento mediúnico, prece, reforma íntima (mudança de atitude no bem, ou seja busca a auto educação),  isso se chama resistência, pois quando você quer fechar suas janelas e portas os trabalhadores do bem te ajudam, na proteção sagrada de sua casa mental.

Quando você aceita as insinuações e tem um deleite nas ideias você  está abrindo as portas de seu mental para estranhos passivamente, o processo  se instala, e age como um tumor que só vai crescendo até tomar conta da sua casa mental e você passa ser subjugado até perder todas suas forças, sofre e faz sofrer aqueles que estão em torno de você, pois esta é a intenção de seus algozes, os espíritos protetores respeitam seu livre arbítrio, mas antes mandam diversos avisos, precisa estar atento e proteger sua casa mental.

 Cuide bem da sua casa mental.

Este aviso serve para todos nós! 

A pessoa mais importante em minha vida?

 A pessoa mais importante em minha vida? 


A pessoa mais importante em minha vida? Responder esta  pergunta a  tempos atrás, seria muito difícil, e eu diria: credo com tantas pessoas importantes em torno de mim fica difícil escolher uma pessoa, contudo  hoje com 56 anos de vida,  eu respondo de imediato um questionamento como este. 

A pessoa mais importante em minha vida é esta  que eu vejo quando eu acordo, é sempre a primeira que eu vejo, e é esta a primeira que me olha, ainda com cara de sono e escovando os dentes, tenho a coragem de sorrir para mim, com os cabelos embaraçados e com os olhos escuros, devido as olheiras, olho com carinho,  e  eu digo assim: vamos lá Soninha, temos um dia todinho pela frente.

A pessoa mais importante em minha vida  consegue me aceitar do jeitinho que eu sou, entretanto insiste e persiste em  dar bons conselhos: não esqueça de tomar o remédio da pressão, quer ter um derrame e andar toda torta? Quer? Tome água. A persona é tão importante que mesmo quando estou brava e reclamando tem coragem e fala baixinho: chega, para de reclamar,  você sabe que lamúria, gera lamúria, gratidão gera gratidão, faça sua escolha ou às vezes impõe: chega de estudar  está na hora de ir dormir, amanhã precisa acordar cedo, ou ainda, quando arrumo uma discussão: vai lá perdoa, você também perdeu a paciência, agora coragem hora de pedir desculpas,  eu digo baixinho, não fiz nada, ela resmunga:  vá  lá,  assim mesmo, acaba logo com essa palhaçada, perde a paciência: agora. Tenha tolerância deixa ele, cada um tem o tempo certo para despertar, deixe ele falar, ele tem esse direito,  precisamos respeitar, faça de conta que  não ouviu.

A pessoa mais importante na minha vida fala assim para mim: hoje é domingo não esqueça de fazer o evangelho no lar, nós precisamos agradecer a Deus pela saúde e proteção que ele  nos dá.

Acorda é segunda-feira! Você já dormiu demais menina! Não adianta fugir precisa enfrentar a vida. Hoje é dia de arrumar este quarto, não tem vergonha de deixar esse armário bagunçado assim?

Credo você está enrolando de novo, vamos terminar esse trabalho logo e entregar, assim você vai se sentir aliviada e feliz por concluir mais  um projeto. 

Esta pessoa me dá bronca, assim sem mais nem menos: chega de comprar livros, termine de ler aqueles que você já comprou; comprar tecidos primeiro conclua o que já começou.

Anda direito você não precisa andar como uma velha,  tenha postura menina.

Esta com dor tome remédio, para de chorar,  é tristeza tenha dignidade, ninguém precisa deste espetáculo, sorria vamos lá ; deixa de se fazer de vítima, reaja tudo passa.

Ei que tal parar de pensar besteira, não é de sua conta não se intrometa, vai ler um livro, assistir um filme, enfim distrair a mente, cuide da sua vida,  deixe ele fazer do jeito dele, eles estão adultos. Credo ela parece um grilo falante, mas tem momentos que fica bem quietinha e medita comigo.

É melhor você deixar de preguiça e abrir aquela gramática agora  este texto precisa ser melhorado, quer escrever estude português, saber falar, não é o mesmo que escrever, então não dê  vexame, estude, abra agora esta gramática já, coragem você vai conseguir. 

Apresento a pessoa mais  abençoada que me ama e quer o meu melhor, não tem como não amar alguém assim, não para de rir, nunca vi alguém tão engraçadinha, vive rindo de mim, mas eu amo esta persona aqui, olha ela lá no espelho como sempre sorrindo para mim, minha melhor companheira, a melhor versão de mim, cada dia que passa, eu amo mais e mais  a pessoa que eu me tornei, eu me educo e aprendo a cada dia ser melhor, eu, persona e sombra somos um, aprendemos juntos.

Eu sou meu melhor projeto,  minha melhor amiga, sou minha, eu sou, sim sou a pessoa mais importante em minha vida e da minha vida, pois  sou a divina expressão de Deus, sou um milagre divino pleno de possibilidades, esta sou eu! Eu amo cada fibra do meu ser material e espiritual.

Ele disse que devemos "Amar o próximo com a si mesmo"; eu estou aprendendo amar a mim mesma, acredite esse é um grande e difícil passo, mas amar e olhar para si é o começo para aprender a amar o próximo, porque nós só podemos dar o que temos. Pense nisso!

Por: Sônia Rocha, 20/09/2020.