A ciência merece o meu respeito e a minha gratidão sabe o porquê?

 


Aquele pequeno frasco

No dia 8 de maio de 2021, às 7h30 da manhã, fui receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Era a AstraZeneca.

Demorei para conseguir aquela vacina. Talvez por isso tenha sentido necessidade de registrar o momento em uma fotografia.

Já na entrada do posto de saúde, fiquei admirada com a organização do atendimento. Dois profissionais, devidamente protegidos com seus EPIs, conferiram meus documentos e me encaminharam para a recepção.

Ali, respondi às perguntas previstas no protocolo de segurança. Meus dados foram registrados no sistema, recebi a carteira de vacinação de adulto e fui orientada a aguardar meu nome aparecer no monitor.

Não demorou.

Lá estava ele, acompanhado do número da sala de vacinação.

Entrei.

A técnica de enfermagem, devidamente paramentada, explicou como seria o procedimento e pediu que eu relaxasse. Antes da aplicação, mostrou-me o pequeno frasco da vacina e explicou a dosagem.

Tudo muito simples.

Um frasco. Uma seringa. Uma dose.

Outra profissional percebeu que eu gostaria de registrar aquele momento e gentilmente fez uma fotografia.

Recebi a vacina, as orientações necessárias e voltei para casa feliz. Depois de tantos meses convivendo com notícias de doença e morte, aquela primeira dose representava para mim alguns passos a mais na direção da esperança.

Mas, durante o restante do dia, minha alegria dividiu espaço com outros sentimentos.

Pensei nas milhões de pessoas que morreram durante a pandemia. Pensei nos colegas que haviam falecido recentemente em consequência da Covid-19. Pensei nas famílias que perderam pessoas queridas.

Chorei por elas.

E meus pensamentos voltaram para aquele pequeno frasco.

Quantas pessoas trabalharam para que seu conteúdo chegasse até meu braço naquela manhã?

Imaginei cientistas atravessando dias e noites em laboratórios, pesquisadores estudando, testando, errando, recomeçando e correndo contra o tempo enquanto uma doença avançava pelo planeta.

Pensei também nos profissionais da saúde que estavam na linha de frente desde o início da pandemia. Muitos deles exaustos, trabalhando enquanto também sentiam medo, tinham famílias e enfrentavam suas próprias incertezas.

Aquela pequena dose não havia surgido de repente.

Era resultado de muito conhecimento acumulado, de pesquisas anteriores e do trabalho de inúmeras pessoas.

A história das vacinas também foi construída assim. No final do século XVIII, Edward Jenner realizou experiências que ajudaram a estabelecer a vacinação contra a varíola. Muito conhecimento foi acrescentado desde então, e a ciência continuou avançando.

Mesmo no século XXI, ainda convivemos com dúvidas, medos e desconfianças em relação à ciência. Eu também sabia que nenhuma intervenção médica poderia me oferecer uma garantia absoluta e que cada organismo poderia reagir de maneira diferente.

Ainda assim, naquela manhã, fiz a minha escolha.

Confiei no conhecimento científico e nos profissionais que trabalharam para que aquela vacina chegasse até mim.

Hoje, quando olho para a fotografia daquele 8 de maio de 2021, vejo mais do que o registro de uma vacina sendo aplicada.

Vejo uma mulher que havia esperado por aquele momento.

Vejo um pequeno frasco.

E, dentro dele, naquele momento tão difícil da nossa história, eu enxergava algo imenso:

esperança.

Minha gratidão a todos os homens e mulheres que trabalharam na pesquisa, produção, distribuição e aplicação das vacinas e a todos os profissionais da saúde que enfrentaram aqueles dias tão difíceis.

Muito obrigada.

Muito obrigada mesmo.

Londrina, 8 de maio de 2021.


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