O caminho que encontrei

O caminho que encontrei



Minha aproximação com a doutrina espírita não começou pela curiosidade sobre espíritos ou mediunidade. Começou pela dor.

Meu pai morreu repentinamente.

Naquela época, eu ainda não sabia o tamanho do espaço que uma ausência poderia ocupar. Frequentava o cemitério, chorava diante de seu túmulo e perguntava por que ele havia nos abandonado.

Hoje sei que aquela pergunta não era racional. Ele não havia escolhido partir. Morrera de pancreatite aguda. Mas a dor nem sempre conversa com a razão.

Eu sofria.

Foi nesse período que vivi uma crise emocional profunda. Tive experiências que me assustaram, como ouvir vozes e perceber presenças que, mais tarde, passei a compreender a partir da visão espírita sobre a mediunidade.

Antes de encontrar respostas, porém, encontrei um livro.

Nosso Lar.

Não foi uma prova de coisa alguma. Foi consolo. Naquele momento, era disso que eu precisava.

Vieram outros livros. O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, A Gênese. Vieram também estudo, convivência, trabalho voluntário e anos de aprendizado.

Aos poucos, aquela experiência que inicialmente me causava medo passou a ocupar outro lugar na minha vida.

Dentro da compreensão espírita que adotei, passei a entender a mediunidade não como privilégio ou fenômeno extraordinário, mas como responsabilidade.

E talvez tenha sido justamente aí que encontrei algo ainda mais importante do que as respostas que procurava.

Encontrei perguntas sobre mim mesma.

Como estou tratando as pessoas? O que faço com minha raiva? Com minhas mágoas? Com meu egoísmo? Estou conseguindo transformar conhecimento em atitude?

Foi assim que uma expressão muito presente no espiritismo ganhou significado para mim: reforma íntima.

Não — apesar do nome — não é nenhuma reparação ginecológica. 😂

É olhar para dentro.

E isso, descobri, dá muito mais trabalho do que olhar para o mundo invisível.

Continuo estudando. Continuo tendo dúvidas. Continuo acreditando na continuidade da vida e compreendendo minhas experiências a partir da doutrina que escolhi seguir.

Não espero que todas as pessoas enxerguem a vida como eu.

Conto apenas o caminho que encontrei.


Texto por Sônia Maria Alves 12/10/2016

  


  

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